quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Síndrome de Asperger - história



Respeito é bom e todos nós deveríamos gostar dele. Dedico essa publicação a todos os meus pacientes, amigos e anônimos portadores do espectro do autismo. O que é denominado "diferente" por uns é considerado "normal" por outros.   

"Nem tudo o que destoa, logo, que é 
anormal, é necessariamente inferior." 
Hans Asperger (1938)


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Fonte: livro "Tudo Sobre a Síndrome de Asperger"
Editora: Verbo (Portugal)

Autor: Tony Attwood
Ano: 2011

Edição: 1a.
  
Hans Asperger foi um pediatra austríaco que, em 1944, percebeu que algumas crianças encaminhadas à sua clínica tinham características de personalidade e de comportamento muito semelhantes. Ele sugeriu o termo "Psicopatia Autística na Infância". Minhas observações: "Psicopatia Autística" não tem qualquer relação com o Transtorno da Personalidade Antissocial ("sociopata" / "psicopata"). Nessa condição, houve descrição das seguintes dificuldades e capacidades dessas crianças:
-Dificuldade em fazer amigos - nem sempre.
-Muitas vezes, eram importunadas pelas outras crianças.
-Diminuição na comunicação verbal e não-verbal, especialmente em conversas.
-Uso de linguagem rebuscada (excessivamente formal). A gramática e o vocabulário podiam ser relativamente avançados, mas, no fim da conversa, havia a impressão de que havia algo de diferente em relação à fala de crianças da mesma idade.
-Alteração da prosódia (alteração do tom e do ritmo durante a fala) - nem sempre
-Grande dificuldade no controle das emoções.
-Tendência para "intelectualizar" sentimentos, ou seja, transformar emoções em discurso. 
-Capacidade de compreender os sentimentos de outras pessoas, imaginando-se nas mesmas circunstâncias dessas (empatia), abaixo do esperado para a capacidade intelectual.
-Preocupação egocêntrica com um tópico ou interesse específico que dominava os seus pensamentos e o seu tempo.
-Dificuldade em manter a atenção na aula - nem sempre.
-Problemas específicos de aprendizagem - nem sempre.
-Maior necessidade de assistência, por parte dos pais, em relação à autoajuda e à organização - nem sempre
-Coordenação motora e modo de andar alterados.
-Hipersensibilidade a sons específicos, odores, texturas e experiências táteis - nem sempre.

Quando uma condição médica é descoberta, comumente, há uma procura na literatura internacional para determinar se a condição foi descrita anteriormente. Ewa Ssucharewa, neurologista russa, publicou (1926) uma descrição de crianças como "Perturbação da Personalidade Esquizoide"; hoje diríamos que essa condição seria a Síndrome de Asperger. 

Após o falecimento de Hans Asperger, em 1980, a psiquiatra britânica Lorna Wing utilizou, pela primeira vez, o termo "Síndrome de Asperger" para descrever uma nova categoria diagnóstica dentro do espectro do autismo. Ela percebeu que a descrição feita por outro médico austríaco, Leo Kanner, nos Estados Unidos (1943), não se aplicava a algumas crianças e adultos hoje pertencentes à Síndrome de Asperger. De acordo com Kanner, a "Psicose Infantil", atualmente denominada "Transtorno do Espectro do Autismo", apresentavam as seguintes características:
-Incapacidade grave na linguagem (criança silenciosa), na socialização (criança isolada) e na cognição (criança com deficiência intelectual). 
 

 

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