Parceria entre Educação e Saúde Mental do Escolar

terça-feira, 11 de junho de 2013

Anorexia nervosa / bulimia nervosa - PARTE I

Se você ou alguém que você conheça apresenta comportamentos alimentares que tragam dúvidas sobre a existência de anorexia nervosa / bulimia nervosa, o texto abaixo é um resumo de algumas características dessas condições. Avaliação psiquiátrica para esclarecer a existência (ou não) de uma das condições, além de posterior tratamento multidisciplinar (com nutricionista / psicólogo / especialidades médicas [endocrinologia, gastroenterologia]) para "ontem".



Fonte: Lewis’s Child and Adolescent Psychiatry: A Comprehensive Textbook
            4th Edition 2007
            Chapter 5.7.1 - Eating and Growth Disorders in Infants and Children
            Chapter 5.7.2 - Anorexia Nervosa and Bulimia Nervosa


-Os transtornos alimentares e do crescimento são ímpares na clínica médica / clínica psiquiátrica, devido à interface entre transtornos neuropsiquiátricos, alterações emocionais / comportamentais, além de alterações físicas, que interagem de forma complexa. Infelizmente, essa interação não foi reconhecida corretamente:

®Os dois transtornos alimentares e do crescimento mais comuns na infância, retardo do desenvolvimento fisiológico normal (failure to thrive syndrome - FTT) e obesidade, são categorizados como condições relacionadas ao estado nutricional calórico, independentemente da etiologia. Portanto, crianças que apresentem uma dessas condições não são caracterizados como portadores de um transtorno alimentar.


-A fenomenologia dos transtornos alimentares tem sido prejudicada pela escassez de dados e confusão diagnóstica persistente:

®Retardo do desenvolvimento fisiológico normal e nanismo psicossocial são usados, frequentemente, como sinônimos.

®Distinções entre ruminação, refluxo gastroesofágico e vômitos psicofisiológicos raramente são delineados.

®Subtipos de alterações alimentares e do crescimento têm proliferado.

®Controvérsia sobre a etiologia, com dicotomia rígida entre uma causa intrínseca, orgânica ("bebê doente") x alteração externa, ambiental ("mãe má").


-O obstáculo fundamental para o progresso na compreensão e no tratamento dos transtornos da alimentação e do crescimento é a falta de compreensão dos mecanismos básicos da fome e da saciedade.

 
ANOREXIA NERVOSA

Principais critérios:
1)Perda de peso ® Não existe consenso sobre como a perda de peso deve ser calculada, especialmente em relação aos adolescentes. Alguns médicos calculam a perda de peso abaixo do peso normal para a idade e a estatura, enquanto outros calculam a perda a partir de uma linha de base. 
Índice de massa corporal (IMC) = estatura (metros) : peso (kg). Para crianças e adolescentes até 17 anos de idade, a fórmula não é válida; gráficos de crescimento pediátrico devem ser utilizados. Para indivíduos a partir dos 18 anos, geralmente, um IMC de menos de 17,5 é considerado de baixo peso.
 Um IMC entre 25 e 30 é considerado sobrepeso e mais de 30 é rotulado de obesidade.
2)Medo intenso de ganhar peso ® Está presente até mesmo durante períodos de emagrecimento. Muitas vezes, os pacientes negam esse receio, pois são resistentes ao tratamento e, portanto, seu medo de ganhar peso, muitas vezes, deve ser inferido através de  relatórios de seu comportamento (tentativas rigorosas para impedir ganho de peso - restrição alimentar intensa e exercício, por exemplo).
3)Alteração da imagem corporal ® O entendimento acerca do peso e da forma corpóreas é muito distorcido. Alguns sentem-se com excesso de peso, e outros, a despeito de perceberem que são magros, sentem que certas partes do corpo (especialmente o abdômen e as coxas) são muito gordas. O significado de tal distorção está relacionado a um sentimento de ineficácia; portanto, perder peso e ser magro fazem com que esses indivíduos se sintam eficazes e sob controle. Esse último, sem dúvida, influencia sua negação em relação às graves complicações médicas do seu estado de desnutrição.
4)Amenorreia ® CRITÉRIO EXCLUÍDO (Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders [DSM-5] - 2013). 

Subtipos:
-Restritivo - dietas, exercícios, jejuns.
-Compulsivo periódico / purgativo - compulsões periódicas, purgações (vômitos auto-induzidos, laxantes, diuréticos) ® Estudos têm demonstrado, consistentemente, que há maior prevalência de comportamentos impulsivos, (roubo, abuso de drogas, tentativas de suicídio, automutilação, promiscuidade) em relação ao subtipo restritivo. Também, há maior prevalência de obesidade pré-mórbida, obesidade familiar, traços de personalidade debilitante, além de complicações médicas específicas.


BULIMIA NERVOSA

Principais critérios:
1)Compulsão alimentar ® Ingestão de alimentos em quantidade maior do que a da maioria das pessoas em circunstâncias semelhantes, em um período similar de tempo. Há sensação de perda do controle (aspecto subjetivo).
2)Uso recorrente de comportamentos compensatórios inadequados para evitar ganho de peso ® Geralmente, vômitos auto-induzidos. No entanto, pacientes bulímicos usam, frequentemente, catárticos para controle de peso, alternando altas ingestas calóricas com longos períodos de jejum.
3)Frequência e cronicidade ® Mínimo de duas vezes por semana, por, no mínimo, 3 meses ® DIMINUIÇÃO DA FREQUÊNCIA SEMANAL para uma vez por semana (Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders [DSM-5] - 2013)
4)Preocupação com a forma e peso corpóreos, tendendo a superestimar estes.
5)Não ocorre exclusivamente em quadros de anorexia nervosa.

Subtipos:
-Purgativo
-Não-purgativo ® Tendência a apresentar menos perturbação da imagem corporal e menos ansiedade em relação a comer em comparação com aqueles que fazem purgação.
Original

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