Parceria entre Educação e Saúde Mental do Escolar

domingo, 3 de abril de 2011

Como o seu filho ouve e fala?






 O diagnóstico de atraso da fala pode ser um grande desafio para pais e profissionais que lidam com crianças. Daí a importância do conhecimento do desenvolvimento infantil normal, já que o atraso na fala e na linguagem pode ser uma forma de como pais notam, pela primeira vez, um atraso mais amplo.
 Questões de fala e linguagem também podem ser indícios precoces de transtornos do neurodesenvolvimento, incluindo as várias formas de autismo. Mesmo que haja crianças autistas sem atraso na fala, muitas vezes essa fala não é utilizada para se comunicar. Há crianças que memorizam o alfabeto e nunca aprenderam a falar "mamãe" com contexto.
 Caso o desenvolvimento e a audição da criança estejam bem, é necessária a avaliação do ambiente. As pessoas conversam com seus filhos? Algo os atrapalha (lar/escola)? O desenvolvimento da linguagem e da fala exige estímulo em quantidade e qualidade.
 Há vários pais angustiados com atrasos na fala e na linguagem de seus filhos, trazendo dúvidas como "os meninos começam a falar depois das meninas?" ou "o irmão caçula começa a falar mais tarde em relação aos mais velhos?". Mesmo que esses fatores contribuam para uma variação da normalidade, eles não deveriam ser usados para explicar o motivo pelo qual uma criança não alcança o desenvolvimento adequado.
 Abaixo, uma tabela com os marcos normais do desenvolvimento em relação à (1) audição/compreensão e (2) fala.
Audição e compreensão
Fala
Nascimento - 3 meses
Nascimento - 3 meses
Assusta-se com sons altos
Faz sons de prazer
Acalma-se ou  sorri quando alguém fala
Chora de forma diferente para diferentes necessidades
 
Parece reconhecer sua voz; fica quieto se está chorando
Sorri quando vê você
Aumenta ou diminui o comportamento de sucção em resposta ao som

4-6 meses
4-6 meses
Move os olhos na direção dos sons
 Balbucia mais sons da fala, incluindo p, b e m
 
Responde às mudanças no tom de sua voz
Risos e gargalhadas
Observa brinquedos que emitem sons
Vocaliza excitação e desconforto
Presta atenção à música
Faz sons de gorgolejo quando deixado sozinho e quando brinca com você
7 meses - 1 ano
7 meses - 1 ano
Gosta de jogos como esconde-esconde e brincar de comer
O balbucio tem grupos de sons longos e curtos como "tata upup bibibibi"
Vira e olha na direção dos sons
Usa a fala ou sons sem choro para obter e manter a atenção
Ouve quando alguém fala palavras
Utiliza gestos para a comunicação (acenando, estendendo os braços para ser pego)
Reconhece itens comuns como "copo", "sapato", "livro" ou "suco"
Imita diferentes sons de fala
Começa a responder aos pedidos (por exemplo: "vem cá"ou "quer mais?")
Emite uma ou duas palavras (oi, cão dada, mama) em torno do primeiro aniversário, apesar dos sons nem sempre serem claros
1 a 2 anos
1 a 2 anos

Aponta para poucas partes do corpo quando solicitado
Diz mais palavras a cada mês
Segue comandos simples e compreende perguntas simples ("jogue a bola", "beije o bebê", "onde está o seu sapato?")
 
Utiliza algumas perguntas com uma ou duas palavras ("onde gatinho?", "vai tchau-tchau?, "o que é isso? ")
 
Ouve histórias simples, canções e rimas
Coloca duas palavras juntas ("mais bolacha","sem suco", "livro da mamãe")
 
Aponta para fotos em um livro quando nomeadas
Utiliza diversos sons consonantais no início das palavras
2 a 3 anos
2 a 3 anos
Compreende diferenças de significado ("vai-pára", "grande-pequeno","levanta-deita")
Tem uma palavra para quase tudo
Segue dois pedidos ("pegue o livro e coloque-o sobre a mesa")
 
 
Utiliza duas ou três palavras para falar e pedir as coisas
 
Ouve e gosta de ouvir histórias por longos períodos de tempo
Usa os sons k, g, f, t, d e n
 

A fala é entendida pelos ouvintes mais próximos a maior parte do tempo

Muitas vezes, pede ou dirige a atenção para objetos nomeando-os
3 a 4 anos
3 a 4 anos
Ouve a ti quando você está em outra sala
Fala sobre atividades na escola ou na casa de amigos
Ouve a televisão ou o rádio no mesmo nível de intensidade dos outros membros da família
 
 
As pessoas de fora da família geralmente compreendem a fala da criança
 
Respostas simples às perguntas "quem?", "o quê?", "onde?" e "por quê?"
Utiliza muitas frases que têm 4 ou mais palavras
 

Normalmente, fala com facilidade, sem repetir sílabas ou palavras
4 a 5 anos
4 a 5 anos
Presta atenção a uma história curta e responde a perguntas simples sobre a mesma
Utiliza sentenças que dão muitos detalhes ("o maior pêssego é meu")
Ouve e compreende a maior parte do que é dito em casa e na escola
 
 
Conta histórias que se ligam ao tópico
 

Comunica-se facilmente com outras crianças e adultos
 

Diz a maioria dos sons corretamente, exceto poucos como l, s, r, v, z, ch

Diz palavras com rima
 

Nomeia algumas letras e números
 

Utiliza a mesma gramática do resto da família
Fonte: American Speech-Language-Hearing Association

7 comentários:

  1. Dr. Brunno, considero muito importante a sua abordagem sobre o desenvolvimento das crianças, com ênfase na fala. Este assunto deixa muita dúvida uma vez que apesar da convicção de que cada criança tem o seu tempo, quando comparadas entre sí, observa-se diferenças que chamam a atenção.
    A escola tem sido um canal de desenvolvimento muito presente na vida das familias, principalmente aquelas que mantém no seu quadro de efetivos uma equipe multidisciplinar, capaz de diagnosticar quaisquer possibilidades de desvio comportamental, dando aos pais a oportunidade de buscarem soluções preventivas.
    No Brasil, não dispomos de profissionais especialistas em crianças espalhados pelos Estados, daí, parabenizo pelo seu blog, por ser uma porta aberta para as familias, escolas e pessoas que desenvolvem quaisquer ações relacionadas com o comportamento das crianças. É o meu caso. Obrigada pela oportunidade!

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  2. Dr Brunno
    Analisando a tabela acima, entendi que a dificuldade do meu filho na infância era no momento em que ele tinha que falar, pois ouvir e se expressar aconteceu normalmente.
    Também lí o site da APSA, e nas características destacadas, encontrei muito do Igor, vou continuar a estudar, e quem sabe possa ajudar a disseminar e desmistificar um pouco sobre saúde mental na minha cidade.
    Que Deus continue a abençoar você e sua família, para que possa continuar com esse maravilhoso trabalho de apoio as famílias que tanto precisam de esclarecimento, como a minha.
    Obrigada pela atenção.
    Barbara (mãe do Igor)- Votuporanga-SP

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  3. Dr Brunno
    Estava lendo mais um pouco sobre as características, vou transcrever abaixo o que acredito que se encaixa com o Igor (votuporanga):

    1.Dificuldade em compreender as mensagens transmitidas por meio da linguagem corporal - pessoas com SA geralmente não olham nos olhos, e quando olham, não conseguem "ler".

    Quando olho para ele, consegue interpretar se aprovo ou não o comportamento.

    2.Interpretar as palavras sempre em sentido denotativo - indivíduos com SA têm dificuldade em identificar o uso de coloquialismos, ironia, gírias, sarcasmo e metáforas.

    Acredito que dentro dessa característica, ele se encaixa bem.

    3.Ser considerado grosso, rude e ofensivo - propensos a comportamento egocêntrico, Aspergers não captam indiretas e sinais de alertas de que seu comportamento é inadequado à situação social.

    Essa também, ele sempre esta mais preocupado com o seu bem estar, mesmo que o próximo não esteja confortável.

    4.Aperceber-se de erros sociais - à medida que os Aspergers amadurecem e se tornam cientes de sua "cegueira emocional", começam a temer cometer novos erros no comportamento social, e a autocrítica em relação a isso pode crescer a ponto de se tornar fobia.

    Esse ainda não chegou o momento.

    5.Paranoia - por causa da "cegueira emocional", pessoas com SA têm problemas para distinguir a diferença entre atitudes deliberadas ou casuais dos outros, o que por sua vez pode gerar uma paranoia.

    Esse também fico na dúvida.

    6.Lidar com conflitos - ser incapaz de entender outros pontos de vista pode levar a inflexibilidade e a uma incapacidade de negociar soluções de conflitos. Uma vez que o conflito se resolva, o remorso pode não ser evidente.

    Isso com certeza é uma constância, a dificuldade em lidar com conflitos.

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  4. tinha escrito mais coisas, mas não deu para postar, não sei nem o que acabou indo.
    mas qualquer dúvida, meu e-mail:
    bmfaguiar@hotmail.com
    Barbara (mãe do Igor)
    Votuporanga

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  5. Olá, Bárbara.

    Espero que o site da Associação Portuguesa de Síndrome de Asperger tenha auxiliado a esclarecer questões referentes ao seu filho. Qualquer dúvida adicional, estarei à disposição.

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  6. Olá Dr Brunno, é a Barbara (Votuporanga), recebi seu relatório sobre o Igor (obrigada)- F84 (F84.5? - F84.0?), mas hoje a fono dele enviou um outro relatóriocom CID R48.0, é possivél a criança apresentar os dois quadros? Juro que estou um tanto perdida. Desde já agradeço a sua atenção.

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  7. Oi, Bárbara.

    Praticamente todas as categorias do CID 10 que iniciam pela letra "R" (a exemplo do R48.0 - alexia sem outras especificações) dizem respeito a condições de etiologia desconhecida ou transitória. Então, até que se confirmasse (ou não) o diagnóstico de "transtorno específico de leitura" (dislexia - F81.0), o diagnóstico de R48.0 é possível.

    A partir do momento em que um indivíduo recebe o diagnóstico de "transtorno global do desenvolvimento" (F84), a manutenção de um diagnóstico adicional de R48.0 (transitório) ou de F81.0 (definitivo) só deve ser feito quando o prejuízo escolar estiver significativamente abaixo do esperado para o funcionamento intelectual e a escolaridade.

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