segunda-feira, 14 de março de 2011

Psiquiatria da Infância e Adolescência - Brasil e Estados Unidos

     Ser pediatra ou psiquiatra da infância e adolescência? Abaixo, um resumo de uma história de sucesso na fusão das duas especialidades com um fim em comum: o bem-estar da criança e do adolescente.




Título: Child and Adolescent Psychiatry Training
Fonte: American Academy of Child and Adolescent Psychiatry, 2009
 
     No Brasil, é necessário que o médico faça três anos de residência médica em psiquiatria geral, além de 1 ano em psiquiatria da infância e adolescência, para tornar-se psiquiatra infantil; não há necessidade "formal" da residência médica em pediatria. Já nos Estados Unidos, há 3 modalidades de formação:
 
1) Traditional Training Programs - Cinco anos de formação: três anos de de psiquiatria geral e dois anos de psiquiatria da infância e adolescência;
2) Integrated Training Programs - Cinco anos de formação em psiquiatria geral e psiquiatria da infância e adolescência simultaneamente;
3) Triple Board Programs - Cinco anos de formação que combina pediatria, psiquiatria geral e psiquiatria da infância e adolescência, em uma experiência única e integrada (dois anos em pediatria, 1 ano e ½ em psiquiatria geral e 1 ano e ½ em psiquiatria da infância e adolescência).

     Há aproximadamente 20 anos, ficou evidente nos Estados Unidos que haviam dois grandes problemas no campo da psiquiatria da infância e adolescência: (1)enorme escassez de psiquiatras da infância e adolescência; (2)desconexão e tensão entre a pediatria e a psiquiatria da infância e adolescência. Mais notavelmente, pediatras procuravam menos a formação em psiquiatria da infância e adolescência, e parecia que poucos pediatras estavam encaminhando àqueles.

     As origens da psiquiatria da infância e adolescência residem na comunidade pediátrica do pós-Segunda Guerra Mundial.  O conceito de "Triple Board" foi criado como uma via alternativa de formação do psiquiatra da infância e adolescência que combinava pediatria, psiquiatria geral e psiquiatria da infância e adolescência, permitindo um caminho menor do que o necessário no treinamento convencional (sete ou oito anos). Um dos objetivos do programa de formação combinada foi a de criar um núcleo de psiquiatras da infância e adolescência treinados e socializados como pediatras.
    
     No dia 1o. de julho de 1986, o primeiro grupo de médicos residentes começou no novo "Triple Board". A Comissão Conjunta de Formação da Pediatria e Psiquiatria (PPJTC) foi composta por representantes da Comissão de Certificação em Psiquiatria da Infância e Adolescência, da Câmara Americana de Pediatria (ABP), da Câmara Americana de Psiquiatria e Neurologia (ABPN), da Academia Americana de Pediatria (AAP), da Academia Americana de Psiquiatria da Infância e Adolescência (AACAP) e da Associação Americana de Psiquiatria (APA). Além disso, havia um representante do National Institute of Mental Health (NIMH) e um educador profissional.

     A experiência foi considerada um sucesso, e, em 1995 (quando o grupo do quinto e último projeto-piloto de médicos residentes foi concluído), o programa combinado foi transformado em uma residência permanente. 

     Os programas "Triple Board" foram inicialmente concebidos como uma forma de atrair estudantes de medicina para a psiquiatria da infância e adolescência, especialmente aqueles que estavam em dúvida entre pediatria e psiquiatria infantil. Atualmente, existem dez programas "Triple Board" (University of Hawaii Program, Indiana University School of Medicine Program, University of Kentucky Medical Center Program, Tulane University, Tufts University Program, Mount Sinai School of Medicine Program, Cincinnati Children’s Hospital Medical Center, University Health Center of Pittsburgh Program, Brown University Program e University of Utah Program).

     Residentes "Triple Board" podem ter uma carreira notável em áreas que exigem a utilização de todas as competências adquiridas no programa - interconsulta, por exemplo. A sua formação permite que haja bom contato com a pediatria e a psiquiatria. Há, também áreas de diagnóstico, tais como transtornos alimentares, que requerem habilidades diversas. Alguns com pacientes anoréxicos, inicialmente na unidade pediátrica, trabalham com a equipe de enfermagem e com o manejo das necessidades clínicas do doente agudo; depois, trabalham com a equipe psiquiátrica quando o paciente é transferido para uma unidade de internação psiquiátrica e, em seguida, para o ambulatório equipe. Um médico supervisiona os cuidados ao longo do continuum.

     Torço para que, em breve, no Brasil, haja integração entre o Departamento de Pediatria do Comportamento e Desenvolvimento (Sociedade Brasileira de Pediatria) e o Departamento de Psiquiatria da Infância e Adolescência (Associação Brasileira de Psiquiatria) para que os Triple Board Programs sejam uma realidade por aqui, também.

11 comentários:

  1. MORO EM PALMAS-TO. TENHO UM FILHO DE 16 ANOS ELE TOMA RITALINA A 10 ANOS. GOSTARIA DE SABER QUAL O OUTRO REMEDIO PARA ASSOCIAR COM ESTE.

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  2. O metilfenidato (Ritalina) só é associado a outro psicotrópico se houver condição associada que precise ser tratada, também. Favor explicar melhor seu questionamento.

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  3. Olá, gostei muito de seu Blog e me interessei por seu post sobre ser pediatra ou psiquiatra.
    Estou no início do curso de medicina, porém, não consigo me decidir se irei seguir a área da pediatria ou psiquiatria. Me familiarizo com ambas, principalmente pelo fato de ambas lidares com a saúde física e mental da infância e adolescência, mas, como não existe os "Triple Board Programs" ainda aqui no Brasil, gostaria de saber o que você me aconselharia a fazer neste caso, como, por exemplo, se é complicado fazer e ter as duas especialidades.
    Agradeço desde já pela ajuda. Até.

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  4. Olá.

    Desde o início da faculdade de medicina, eu já sabia que queria ser pediatra. Quando tive a disciplina de psiquiatria, com aulas específicas da infância e da adolescência, cheguei à conclusão que faria ambas as áreas.

    Hoje, sei que tomei a decisão correta. Foi desgastante fazer três residências, mas, ao mesmo tempo, foi muito válido. Aconselho a fazer as 3 residências médicas (pediatria - psiquiatria - psiquiatria da infância e da adolescência). Se, um dia, quiser entrar em contato, é só enviar seu e-mail.

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  5. bruno estou no último ano de medicina , me interesso mto por pediatria, mas ao mesmo tempo estou na dúvida com psiquiatria...vc sabe quais os lugares que oferecem residência médica em psiquiatria da infância e adolescência no estado de são Paulo?Gostaria tbm de trocar idéias sobre o assunto, qual seu e mail?estou em um dilemaaa....cheia de questionamentos e dúvidas do que prestar...obrigada ariane

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    1. Oi, Ariane.

      Em São Paulo, os serviços que oferecem residência médica em psiquiatria da infância e da adolescência são: UNIFESP e USP. Não conheço outros locais.

      Você pode enviar seu e-mail? Entrarei em contato contigo para auxiliar no que for possível.

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  6. Olá Dr. gostei muito do seu post, eu tenho 18 anos e estou estudando para entrar na universidade de medicina, e o que me encantou foi a psiquiatria e também gosto de crianças e adolescentes, são as pessoas que mais me dou bem rs.

    Gostaria de saber se posso ser um médico que se especialize no autismo e que eu possa trabalhar apenas com esse tipo de pessoa....

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  7. Obrigado por ter apreciado o blog.

    Creio que você terá que experimentar todas as possibilidades de especialização, durante sua futura formação médica. Para lidar com o espectro do autismo, creio que seria útil fazer residência médica em psiquiatria geral e, após, psiquiatria da infância e da adolescência. Fazer pediatria antes das outras especialidades fica a critério de cada um, já que não é uma obrigatoriedade. No meu entendimento, é especialidade fundamental para lidar com crianças e adolescentes de forma mais global.

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  8. Olá, tudo bem? Tenho uma filha de 12anos que apresentou a 1° crise convulsiva com 1 ano e 10 meses (não é tônico clônica e sim ausência). Além disse, quando começou na escolinha começou a apresentar problemas de comportamento e desenvolvimento. Fizemos várias investigações e não temos um diagnóstico. Fizemos RNM crânio, EEG, ECG, CT, pesquisa de cardiopatia, pesquisa de cariótipo e SD Williams, tudo negativo. Passamos TB com um geneticista. Enfim, hoje ela estuda em um colégio especializado, tem atraso cognitivo e problemas de comportamento e concentração. Faz uso de anticonvulsivante e Risperidona (sem grandes impactos). O fato é que as questões relacionadas ao comportamento vem intensificando comprometendo sua vida social e convivência com outras pessoas. Minha dúvida é: a única intervenção que ainda não foi feita foi com um psiquiatra. Quero ter certeza que fiz tudo que era possível pela minha filha. Vc acha que seria importante r teria alguma resultado positivo o acompanhamento com um psiquiatra? Carol

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    1. Olá, Carolina. Está tudo bem comigo, obrigado.

      Eu entendo que qualquer indivíduo que apresente alterações comportamentais / emocionais que interfiram na sua qualidade de vida e que tragam sofrimento e impacto no seu dia-a-dia devem ser avaliados por um médico especializado nas questões supracitadas: psiquiatra.

      No caso da sua filha, o ideal seria uma avaliação por psiquiatra da infância e da adolescência (formação mínima: residência médica e/ou título de especialista / área de atuação em psiquiatria da infância e da adolescência). Se o geneticista não detectou causa que justifique o prejuízo intelectual, é importante descartar diagnósticos em saúde mental.

      Se o psiquiatra não acrescentar para uma melhora da qualidade de vida da sua garota e, por conseguinte, da sua família, peça outra opinião de especialista da mesma área.

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