Parceria entre Educação e Saúde Mental do Escolar

domingo, 26 de dezembro de 2010

Cocaína

Título: Cocaína
Fonte: Livreto Informativo Sobre Drogas Psicotrópicas, Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (CEBRID)


Introdução
-Cocaína: substância natural, extraída das folhas de uma planta encontrada exclusivamente na América do Sul., a Erythroxylon coca, conhecida como coca ou epadu (nome dado pelos índios brasileiros).


-Apresentações:
a)sal (cloridrato de cocaína - “pó”, “farinha”, “neve” ou “branquinha”): solúvel em água; serve para ser aspirado ou dissolvido em água para uso intravenoso;
b)base (crack): pouco solúvel em água; é volátil após aquecida, e, portanto, é fumada em “cachimbos”.
c)base (merla - mela, mel ou melado): não é refinada e é muito contaminado com as substâncias utilizadas na extração; é preparada de forma diferente do crack, mas, também é fumada.

Curiosidades: por apresentar aspecto de “pedra” no caso do crack e “pasta” no caso da merla, não podendo ser transformado em pó fino, tanto o crack como a merla não podem ser aspirados, como a "farinha", e, por não serem solúveis em água, também não podem ser injetados. Por outro lado, para passar do estado sólido ao de vapor quando aquecido, o crack necessita de uma temperatura relativamente baixa (95oC), o mesmo ocorrendo com a merla, ao passo que o “pó” necessita de 195oC; por esse motivo, o crack e a merla podem ser fumados, e o “pó”, não.

d)pasta: produto grosseiro, obtido das primeiras fases de extração de cocaína das folhas da planta quando estas são tratadas com álcali, solvente orgânico (querosene ou gasolina), e ácido sulfúrico. Essa pasta contém muitas impurezas tóxicas e é fumada em cigarros (“basukos”).
-Antes de se conhecer e de se isolar cocaína da planta, a coca (planta) já era usada sob forma de chá. Nessa forma, pouca cocaína é extraída das folhas; também, ingerindo-o, pouca cocaína é absorvida pelos intestinos, e muito pouca cocaína chega ao cérebro.


-Diferenças entre a "farinha", o crack e a merla: a via de uso do crack e da merla (pulmonar) permite que cheguem quase imediatamente à circulação sanguínea, chegando rapidamente ao cérebro (10-15 segundos), enquanto os efeitos após cheirar o “pó” surgem após 10 a 15 minutos, e após a injeção, em 3-5 minutos. Entretanto, a duração dos efeitos do crack é muito rápida (cerca de 5 minutos), enquanto, após injetar ou cheirar, duram de 20 a 45 minutos. Essa certa duração dos efeitos faz com que o usuário volte a utilizar a droga com mais frequência quando "pipada" (fumada).

-Logo após a “pipada”, o usuário tem uma sensação de grande prazer, intensa euforia e poder. É tão agradável que, logo após o desaparecimento desse efeito, ele volta a usar a droga, fazendo isso inúmeras vezes, até acabar todo o estoque que possui ou o dinheiro para consegui-la ("fissura"). Além desse “prazer” indescritível, que muitos comparam a um orgasmo, o crack e a merla provocam, também, um estado de excitação, hiperatividade, insônia, perda de sensação do cansaço e falta de apetite. Em menos de um mês, o usuário perde muito peso (8 a 10kg) e, em um tempo maior de uso, ele perde todas as noções básicas de higiene. Após o uso intenso e repetitivo, o usuário experimenta sensações muito desagradáveis (cansaço e intensa depressão).

Efeitos tóxicos
-Aumento das pupilas (midríase), que prejudica a visão ("borrada”)
-Dor no peito
-Contrações musculares
-Convulsões
-Coma
-Aumento da pressão arterial
-Taquicardia
-Fibrilação ventricular e parada cardíaca
-Diminuição de atividade de centros cerebrais que controlam a respiração e parada cardíaca
-Degeneração irreversível dos músculos esqueléticos (rabdomiólise)

Aspectos gerais
-As pessoas que abusam da cocaína relatam a necessidade de aumentar a dose para sentir os mesmos efeitos iniciais de prazer (tolerância). Porém, paralelamente a esse fenômeno, os usuários de cocaína também desenvolvem  sensibilização, mas, para a angústia do usuário, os efeitos produzidos com pouca quantidade de droga são os desagradáveis ("nóia", por exemplo).

-A tendência do usuário é aumentar a dose da droga na tentativa de sentir efeitos mais intensos. Porém, essas quantidades maiores acabam por levar o usuário a comportamento violento, irritabilidade, tremores e atitudes bizarras devido ao aparecimento de paranóia ("nóia"). Esse efeito provoca um grande medo nos "craqueros" (usuários de crack), que passam a vigiar o local onde usam a droga e a ter uma grande desconfiança uns dos outros, o que acaba levando-os a situações extremas de agressividade. Eventualmente, podem ter alucinações e delírios - "psicose cocaínica". Além dos sintomas descritos, o craquero e o usuário de merla perdem de forma muito marcante o interesse sexual.

-Não há descrição convincente de uma síndrome de abstinência quando a pessoa pára de usar cocaína abruptamente: não sente dores pelo corpo, cólicas ou náuseas. Às vezes, pode ocorrer dessa pessoa ficar tomada de grande “fissura”, desejar usar novamente a droga para sentir seus efeitos agradáveis e não para diminuir ou abolir o sofrimento que ocorreria se realmente houvesse uma síndrome de abstinência.
 
Usuários de drogas injetáveis e HIV
-No Brasil, a cocaína é a substância mais utilizada pelos usuários de drogas injetáveis (UDI's). Muitas dessas pessoas compartilham agulhas e seringas e expõem-se ao contágio de várias doenças (hepatites, malária, dengue e HIV). Os UDI's têm optado por mudança da "farinha" pelo crack "mais seguro"; entretanto, principalmente mulheres usuárias de crack, prostituem-se para obter a droga e geralmente o fazem sob efeito da “fissura”. Nesse estado, perdem a noção do perigo, não conseguem proceder a um sexo seguro, expondo-se a doenças sexualmente transmissíveis (DST's).

Curiosidades: o jornal O Estado de São Paulo, em 1914, publicou a seguinte notícia: "Há hoje em nossa cidade muitos filhos de família, cujo grande prazer é tomar cocaína e deixar-se arrastar até aos declives mais perigosos deste vício. Quando atentam... é tarde demais para um recuo".

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